NOTA DE REPÚDIO – Uso político da Agência Brasil

A Comissão de Empregados da EBC, os Sindicatos dos Jornalistas do DF, Rio e SP, o Sindicato dos Radialistas do DF, RJ e SP e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam com veemência o uso político da Agência Brasil e o flagrante desrespeito à Norma de Jornalismo 801 praticados nesta terça-feira (12) pela gerente-executiva Mara Andrea Bergamaschi e pela gerente Renata Giraldi. Responsáveis pelo veículo, elas autorizaram a publicação da matéria “Ministro da Cultura deverá pedir demissão”, que ficou várias horas como manchete do veículo [http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2018-06/ministro-da-cultura-deve-pedir-demissao].

Ao contrário do que preconiza a Norma – Manual de Jornalismo da EBC -, que trata o “off” como excepcionalidade, a publicação não cita nenhuma fonte, além de fazer mera especulação sobre possível saída do ministro da Cultura do órgão, informação desmentida posteriormente pelo próprio Ministério da Cultura.

Segundo a Norma 801, as notícias da empresa devem “primar pelo interesse público, pela honestidade, pela precisão – inclusive no reconhecimento de erros – e pela clareza”. O documento afirma ainda que o jornalismo da EBC “não publica sensacionalismo, rumores ou revelações feitas no anonimato, ressalvadas as situações regradas no Manual sobre o uso do off”.

A reportagem especulativa sobre a possível saída do ministro da Cultura do cargo, além de manchar e envergonhar o trabalho dos profissionais concursados da empresa, fez com que a Agência Brasil fosse ridicularizada em veículo jornalístico comercial e classificada como “agência de recados do Palácio do Planalto”. Além disso, poucas horas após a publicação da “reportagem”, o Ministério da Cultura divulgou nota pública desmentindo o que fora publicado pela ABr.

Corrigidas pelo Ministério, as chefias da Agência Brasil, em vez de publicar o erramos e pedir desculpa, veicularam uma matéria em que tentam justificar o injustificável, o que mais uma vez fere gravemente o Manual de Jornalismo da EBC.

Já havia causado preocupação e estranheza as entidade representativas um editorial publicado na Agência Brasil no último dia 1º de junho [http://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2018-06/temer-ainda-estuda-nome-para-presidencia-da-petrobras] sobre a escolha do novo presidente da Petrobras. Algo inédito na história do veículo e com tom favorável ao governo, mais uma vez em desacordo com o Manual de Jornalismo da EBC.

Outra afronta à comunicação pública e ao jornalismo da EBC praticada pela atual gestão da Agência Brasil ocorreu no último dia 7, quando o veículo publicou matéria em que afirmou, categoricamente, que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) havia concluído que a reforma trabalhista “é compatível” com a Convenção 98 da entidade. [http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-06/oit-reforma-trabalhista-respeita-negociacao-coletiva-de-trabalhadores].

Por conta disso, a Agência Brasil foi, mais uma vez, ridicularizada nacionalmente e acusada de publicar Fake News. Isso porque, diferentemente do que informou matéria assinada pela própria gerente Renata Giraldi, a OIT ressaltou que não tomou nenhuma decisão sobre o tema e que apenas pediu esclarecimentos ao governo brasileiro. [https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2018/06/12/oit-reforma-trabalhista.htm].

Mais uma vez, a atual gestão da ABr em vez de corrigir o erro, tergiversou e enganou os leitores. No lugar do “erramos”, o veículo publicou matéria dizendo que as “centrais sindicais tinham dúvida sobre a decisão da OIT” [http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-06/centrais-avaliam-que-oit-ainda-tem-duvidas-sobre-reforma-trabalhista] e outra ressaltando visão equivocada do Ministério do Trabalho [http://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-06/ministro-rebate-que-brasil-esteja-na-chamada-lista-suja-da-oit].

“O mais alto valor de qualquer empresa de comunicação é a credibilidade. Por isso, a precisão e a objetividade devem ser obstinação. O rigor com a exatidão de dados e informações é OBRIGATÓRIO. O repórter deve pesquisar ou se servir de pesquisas da produção sobre o fato antes de sair para a cobertura. Deve tomar conhecimento do que mais importante tiver sido publicado a respeito e pedir orientação aos editores e pauteiros”, impõe o Manual de Jornalismo da EBC em vigor.

A linha editorial adotada pela nova gestão da Agência Brasil coloca em xeque anos de trabalho em prol da credibilidade do veículo e de todo o jornalismo público da EBC. Diante disso, a Comissão de Empregados e os Sindicatos pedirão ao presidente da empresa, Alexandre Parola, que faça valer na Agência Brasil o que ele disse ao tomar posse, “que a instituição é um bem público que pertence à sociedade brasileira” [http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2018-05/ao-tomar-posse-alexandre-parola-destaca-papel-publico-da-ebc].

Além disso, as entidades informam que estão coletando dados sobre casos de censura e governismo na Agência Brasil e nos demais veículos públicos da empresa para montar um dossiê, a ser levado à direção e aos órgãos de fiscalização. Sendo assim, pedimos aos empregados que entrem em contato com a Comissão de Empregados para denunciar episódios de censura por meio do email: comissaoempregadosebc@gmail.com.

Comissão de Empregados da EBC
Sindicatos dos Jornalistas do DF, Rio e SP
Sindicato dos Radialistas do DF, RJ e SP
Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj)

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